No início dos trabalhos, Conceição Morais, que iniciou a sua actividade cívica no MDM, realçou a importância daquela iniciativa «com tudo o que está a acontecer na nossa sociedade, com as mulheres a serem as mais atingidas directamente». Esta dirigente referia-se, naturalmente, à crescente exploração dos trabalhadores que põe em risco direitos duramente conquistados, que aumentam as situações de injustiças e desigualdades, aprofundando o tradicional ciclo de discriminações em função do sexo.
Dai a necessidade, salientou, de «promover um debate onde pudéssemos não só fazer uma troca de experiências, mas também discutirmos colectivamente como fazer face às "agressões" que no nosso quotidiano sofremos».
De seguida interveio Odete Gonçalves que agradeceu a todos os presentes «terem respondido ao nosso apelo». «É bom ver nesta sala quase tantos homens como mulheres, um sinal de que querem partilhar os nossos problemas que também são os deles». Lembrou ainda, reportando-se a um postal que a Junta de Freguesia de Amora fez para assinalar a data, que o dia 8 de Março «é uma data inquestionável no calendário das mulheres que sonham por tornar possível o direito ao trabalho, conjugado com os direitos de maternidade/paternidade, e de participação em igualdade na vida social e económica do País».
Falou ainda do seu papel como autarca e de mulher. «As mulheres têm sempre dois empregos, as autarcas têm três», referiu, valorizando o facto de na Junta de Freguesia de Amora, assim como em outros órgãos autárquicos do concelho do Seixal, «o Executivo ser maioritariamente composto por mulheres», situação que «nos orgulha, uma vez que conquistámos o nosso lugar com trabalho, dedicação, empenhamento e sacrifício».
Retirada de direitos
Por seu lado, Ana Luísa falou dos problemas que surgem na sua área profissional. «Sou enfermeira aqui no Centro de Saúde de Amora, alguns de vocês até já me conhecem», apresentou-se, dando conta da retirada de direitos, ao longo dos anos, aos enfermeiros, com a «não contratação» de profissionais para as diversas unidades de saúde, sendo que os que são contratados «são por três meses» ou por «firmas de trabalho temporário, em que a qualidade de uma profissão que eu muito estimo e amo está a decair, principalmente por todas estas políticas que têm vindo a ser realizadas».
Criticou ainda, enquanto mulher, do outro lado da secretária, o facto de existirem «mulheres grávidas a quem não lhes é permitido irem a uma consulta de saúde materna, ou acompanhar as suas crianças às vacinações, porque correm o risco de perderem os seus empregos», alertou.
Regina Marques recordou a «história de luta» que foi o 8 de Março, porque «todos os direitos que as mulheres têm hoje foram resultado de lutas incessantes, duras, que levaram ao sacrifício, à opressão, à morte de muitas e muitas activistas deste movimento». Neste sentido, destacou Clara Zetkin, uma revolucionária alemã, prestigiada e influente dirigente do movimento comunista alemão e internacional, na defesa dos direitos das mulheres e pela sua emancipação social, que apresentou, em 1910, a proclamação do Dia Internacional da Mulher. «Comemorar, como sempre, é lembrar o passado, mas viver o presente, actualizado, e pensar no futuro», sublinhou.
Já Almira Santos criticou as políticas desencadeadas pelos sucessivos governos que têm «acentuado as desigualdades entre mulheres e homens». «Sé é verdade que com a Revolução de Abril as mulheres conquistaram um conjunto de direitos que transformaram profundamente a sua vida, indo ao encontro das suas aspirações e reivindicações, não é menos verdade que após dois anos dessa data histórica foram desencadeadas um conjunto de ofensivas contra as conquistas democráticas de Abril, que têm vindo a agravar a situação das mulheres e limitar muitos desses direitos», denunciou.
Na Administração Pública, adiantou, «esse retrocesso social tem incidido de uma forma "terrorista" em desrespeito completo pela Constituição da República Portuguesa, de que é exemplo o flagrante desrespeito pelo ultraje ao vínculo público dos trabalhadores e das trabalhadoras. Retrocesso esse que o Governo pretende impor no direito a uma apresentação digna, não respeitando os direitos adquiridos e violando o princípio da segurança jurídica através da antecipação do faseamento das medidas de retrocesso que ele próprio estabeleceu até 2015.» «Esta política do Governo PS, de mãos dadas com o PSD e o CDS vão degradar as condições gerais de aposentação e são tomadas em nome da suposta crise que o País atravessa», acrescentou.
Por último, Corália Loureiro saudou «todas as mulheres que com a sua luta, com o seu trabalho, nos têm ajudado a construir um concelho que é uma referência no trabalho autárquico». Na sua intervenção, a autarca frisou ainda que, nos dias de hoje, a «discriminação continua» e que a «luta à de continuar enquanto persistirem as discriminações, enquanto não se conseguir efectivamente a igualdade de direitos».
No final, deu-se a palavra à plateia, que se solidarizou com as mulheres do mundo, vítimas de guerras injustas, com as trabalhadoras vítimas de desregulamentação de horários de trabalho e com as desempregadas.
Dai a necessidade, salientou, de «promover um debate onde pudéssemos não só fazer uma troca de experiências, mas também discutirmos colectivamente como fazer face às "agressões" que no nosso quotidiano sofremos».
De seguida interveio Odete Gonçalves que agradeceu a todos os presentes «terem respondido ao nosso apelo». «É bom ver nesta sala quase tantos homens como mulheres, um sinal de que querem partilhar os nossos problemas que também são os deles». Lembrou ainda, reportando-se a um postal que a Junta de Freguesia de Amora fez para assinalar a data, que o dia 8 de Março «é uma data inquestionável no calendário das mulheres que sonham por tornar possível o direito ao trabalho, conjugado com os direitos de maternidade/paternidade, e de participação em igualdade na vida social e económica do País».
Falou ainda do seu papel como autarca e de mulher. «As mulheres têm sempre dois empregos, as autarcas têm três», referiu, valorizando o facto de na Junta de Freguesia de Amora, assim como em outros órgãos autárquicos do concelho do Seixal, «o Executivo ser maioritariamente composto por mulheres», situação que «nos orgulha, uma vez que conquistámos o nosso lugar com trabalho, dedicação, empenhamento e sacrifício».
Retirada de direitos
Por seu lado, Ana Luísa falou dos problemas que surgem na sua área profissional. «Sou enfermeira aqui no Centro de Saúde de Amora, alguns de vocês até já me conhecem», apresentou-se, dando conta da retirada de direitos, ao longo dos anos, aos enfermeiros, com a «não contratação» de profissionais para as diversas unidades de saúde, sendo que os que são contratados «são por três meses» ou por «firmas de trabalho temporário, em que a qualidade de uma profissão que eu muito estimo e amo está a decair, principalmente por todas estas políticas que têm vindo a ser realizadas».
Criticou ainda, enquanto mulher, do outro lado da secretária, o facto de existirem «mulheres grávidas a quem não lhes é permitido irem a uma consulta de saúde materna, ou acompanhar as suas crianças às vacinações, porque correm o risco de perderem os seus empregos», alertou.
Regina Marques recordou a «história de luta» que foi o 8 de Março, porque «todos os direitos que as mulheres têm hoje foram resultado de lutas incessantes, duras, que levaram ao sacrifício, à opressão, à morte de muitas e muitas activistas deste movimento». Neste sentido, destacou Clara Zetkin, uma revolucionária alemã, prestigiada e influente dirigente do movimento comunista alemão e internacional, na defesa dos direitos das mulheres e pela sua emancipação social, que apresentou, em 1910, a proclamação do Dia Internacional da Mulher. «Comemorar, como sempre, é lembrar o passado, mas viver o presente, actualizado, e pensar no futuro», sublinhou.
Já Almira Santos criticou as políticas desencadeadas pelos sucessivos governos que têm «acentuado as desigualdades entre mulheres e homens». «Sé é verdade que com a Revolução de Abril as mulheres conquistaram um conjunto de direitos que transformaram profundamente a sua vida, indo ao encontro das suas aspirações e reivindicações, não é menos verdade que após dois anos dessa data histórica foram desencadeadas um conjunto de ofensivas contra as conquistas democráticas de Abril, que têm vindo a agravar a situação das mulheres e limitar muitos desses direitos», denunciou.
Na Administração Pública, adiantou, «esse retrocesso social tem incidido de uma forma "terrorista" em desrespeito completo pela Constituição da República Portuguesa, de que é exemplo o flagrante desrespeito pelo ultraje ao vínculo público dos trabalhadores e das trabalhadoras. Retrocesso esse que o Governo pretende impor no direito a uma apresentação digna, não respeitando os direitos adquiridos e violando o princípio da segurança jurídica através da antecipação do faseamento das medidas de retrocesso que ele próprio estabeleceu até 2015.» «Esta política do Governo PS, de mãos dadas com o PSD e o CDS vão degradar as condições gerais de aposentação e são tomadas em nome da suposta crise que o País atravessa», acrescentou.
Por último, Corália Loureiro saudou «todas as mulheres que com a sua luta, com o seu trabalho, nos têm ajudado a construir um concelho que é uma referência no trabalho autárquico». Na sua intervenção, a autarca frisou ainda que, nos dias de hoje, a «discriminação continua» e que a «luta à de continuar enquanto persistirem as discriminações, enquanto não se conseguir efectivamente a igualdade de direitos».
No final, deu-se a palavra à plateia, que se solidarizou com as mulheres do mundo, vítimas de guerras injustas, com as trabalhadoras vítimas de desregulamentação de horários de trabalho e com as desempregadas.






